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A Vila*

Contributos Históricos

A vila de Santo Estêvão, foi outrora Vila Medieval e as suas casas serviram de alcáçovas do Castelo.

Na área geográfica de Santo Estêvão há vários testemunhos que atestam a existência da povoação já na Pré-História.

No entanto, a primeira prova documental que a refere tem data de 12-05-1074, anterior portanto, à independência do Condado Portucalense.

A região de Chaves (Flaviae) e Santo Estêvão fizeram parte do dote de D. Teresa, filha ilegítima de Afonso VI de Leão e Castela, quando em 1095 se casou com o Conde D. Henrique de Borgonha. Em 1129 a região de Chaves foi tomada pelos Mouros e retomada 31 anos depois, por Rui e Garcia Lopes, dois cavaleiros de aventura que a ofereceram em 1105 a D. Afonso Henriques quando foi reconhecido como Rei de Portugal.

D. Afonso Henriques começou desde logo a alargar os limites do território que lhe fora legado. Chaves era então uma terra portuguesa, assim com a fortaleza de Santo Estêvão, que o nosso primeiro Rei e D. Sancho I foram construindo e reforçando.

Há no entanto um período da nossa história coeva em que as terras de Chaves voltaram ao poder de Leão após a desastrosa jornada de Badajoz em 1169, em que D. Afonso Henriques foi ferido e aprisionado por seu genro D. Fernando II de Leão. Para o seu resgate, D. Afonso Henriques teve de largar todos os lugares e castelos que penosamente havia conquistado, menos o Castelo de Santo Estêvão que continuou na posse do Rei de Portugal.

Em 15-05-1258, D. Afonso III concede foral a Santo Estêvão.

A antiga vila de Santo Estêvão e dois coutos vizinhos, Faiões e São Pedro de Agostém eram posições estratégicas da fértil Veiga, que os vizinhos leoneses se empenhavam em arrebatar-nos a cada instante. Principalmente o castelo de Santo Estêvão constituía uma vigilante sentinela à fértil planície, exigindo por isso uma constante atalaia da orla fronteiriça nortenha contra as surtidas astuciosas dos leoneses.

No Castelo de Santo Estêvão fez D. Sancho I celebrar o casamento de sua filha D. Teresa com D. Afonso IX, Rei de Leão. No mesmo Castelo, viveram durante muitos anos as outras duas filhas de D. Sancho I, D. Mafalda e D. Sancha e seu filho Afonso que veio suceder a seu pai no reino de Portugal, D. Afonso II.

A separação de Afonso IX e D. Teresa, por imposição pontifica veio agravar o equilíbrio estabelecido.

Afonso IX tomou porém o partido da ex-mulher no litígio que a opunha ao rei seu irmão, que a lesara na herança paterna em Portugal. O Castelo de Santo Estêvão foi tomado como penhor ou fiança nesse litígio, o que mais uma vez veio reforçar a importância dessa fortaleza fronteiriça, que esteve então durante dezanove anos em poder dos leoneses. Só foi restituído a Portugal em 1231, pela convenção estabelecida por Fernando III de Leão e D. Sancho II no Sabugal.

D. Afonso, irmão de D. Sancho II que viria a tornar-se D. Afonso III de Portugal, após a sua separação de D. Matilde de Bolonha, casou em segundas núpcias com uma filha ilegítima de Afonso X, rei de Castela e Leão, D. Beatriz com quem se encontrou em Bragança em 10 de Maio de 1253, seguindo depois para Santo Estêvão.

O consórcio de ambos realizou-se no Castelo de Santo Estêvão em cujas alcáçovas foram preparadas acomodações condignas para receberem os régios esposos. D. Afonso III passava já dos 40 anos, enquanto a princesa era ainda uma criança. Só seis anos depois nasce deste enlace a infanta D. Branca e em 1261 o herdeiro do Reino, o príncipe D. Dinis.

D. Afonso III fica a viver com a rainha D. Beatriz, em Santo Estêvão. É daqui que são outorgados e confirmados forais, a partir de fins de Maio de 1258 e assinados por D. Beatriz e outras testemunhas importantes, entre as quais Fernando Fernandes Cogominho, rico homem, pai de Nuno Fernandes Cogominho que foi almirante do Reino no tempo do rei D. Dinis.

A reputação de que o povoado de Santo Estêvão disputou nos séculos XII e XIII adveio de que ao seu redor e do seu Castelo se travaram importantes recontros militares entre adversários fronteiriços.

A partir de 1268 começaram a aparecer diplomas régios, assinados em Santo Estêvão, com referência a Chaves, embora o primeiro foral da actual cidade só tenha sido promulgado em 1514, em pleno reinado de D. Manuel. É porém, notório que nesse documento aparecem referências a um foral antigo, do tempo de D. Dinis, confirmado por D. Afonso IV seu filho e sucessor.

No reinado do rei-poeta, a torre de menagem do Castelo de Chaves devia estar concluída, mas ainda assim, a fortaleza e povoação de Santo Estêvão nada perdera da sua antiga importância militar, segundo referências colhidas das frequentes inquirições mandadas efectuar pelos reis, para denunciarem e reprimirem os abusos da nobreza em relação às propriedades pertencentes à corte.

D. Dinis, filho e sucessor de Afonso III, veio a Santo Estêvão esperar a noiva, D. Isabel filha do rei de Aragão D. Pedro III e em 1385 vemos D. João I acampado na antiga vila de Santo Estêvão preparando-se para o ousado assalto a Chaves, cujo alcaide tinha jurado fidelidade a Castela.

Conta ainda a tradição que o mesmo rei acompanhado do seu fiel exército, veio, muitos anos depois, em 1423, passar a noite de Natal à sombra protectora do castelo de Santo Estêvão, ouvindo à lareira os contos e ditos dos seus chocarreiros.

Já na segunda metade do século XVII, em 1666, durante as longas lutas da Restauração, Santo Estêvão foi teatro de violências e crueldades, por parte da soldadesca do General galego Pantoja, que invadiu a povoação e a seguir saqueou, tomou o Castelo e massacrou a sua pequena guarnição, depois de incendiar o casario. Pantoja seguiu depois para o Castelo de Monforte de Rio Livre, na intenção de aí cometer as mesmas atrocidades. Foi, porém, batido, pelo Português Francisco de Távora, general de cavalaria e Conde de Alvor, que saiu ao seu encontro.

Localização Estratégica

A aldeia de Santo Estêvão está situada no sopé da zona montanhosa que se estende a norte desde a cota de Mairos, já na fronteira com a Galiza, até à Ribeira das Avelãs a sul. Fica situada a 5 quilómetros de Espanha, correndo o Rio Tâmega a 2 quilómetros. Entre a povoação e o rio existe uma larga veiga plana onde as mais variadas hortaliças podem ser cultivadas. Do lado nascente a aldeia está encostada à montanha que sobe até ao planalto de Monforte, onde o castelo serve de sentinela. Deste modo, a freguesia de Santo Estêvão localiza-se num ponto estratégico entre a cidade-sede de concelho e Espanha. É, por isso, ponto obrigatório de passagem de milhares de pessoas, quer nacionais quer estrangeiros, turistas ou meros trabalhadores, o que pode potenciar e dinamizar a economia da aldeia, sobretudo a sua indústria turística, pelo relevo histórico e cultural que desde há séculos a freguesia aufere e goza. A freguesia de Santo Estêvão é composta por um aglomerado populacional contínuo de cerca de 1000 habitantes, dos quais 702 são indivíduos com capacidade eleitoral.

Condições Sócio-económicas

A freguesia de Santo Estêvão tem uma economia agrária, onde apresenta destaque a cultura do vinho e os produtos hortícolas, além dos demais produtos tradicionais característicos da região.Acresce que, neste momento, está em fase de implementação a actividade turística, sobretudo o turismo de características rurais, vulgo turismo de habitação, o qual, pela riqueza histórica da povoação, começa a ser a base da economia de muitas famílias.

A freguesia de Santo Estêvão, além de ser um aldeia de tradição secular, soube acompanhar a evolução civilizacional ao longo dos tempos, conjugando-a com a sua rica história, apresentando hoje um leque variado de infra-estruturas e equipamentos sociais que contribuem para a qualidade de vida e bem-estar da população em geral.

As condições de vida, ao nível de saneamento básico e de acessibilidades, são de elevado nível.

São relevantes as festas em honra de Santo Estêvão, no dia 26 da Dezembro, e de S. Mateus, no terceiro domingo de Setembro, como é importante, no contexto concelhio e sub-regional, a Feira das Cebola,s que se realiza no primeiro sábado de Setembro.

Ao nível das unidades de comércio, indústria e serviços, Santo Estêvão já se encontra devidamente estruturada. Assim dispõe de:

  • Cafés
  • Restaurantes
  • Mercearias
  • Talho
  • Três oficinas de reparação de automóveis
  • Fábrica de móveis de madeira
  • Restauro de móveis de madeira
  • Serralharia
  • Três explorações de inertes.

No campo das instituições relacionadas com a educação, cultura, recreio e apoio social há a destacar:

  • Centro de dia/lar da terceira idade
  • ATL
  • Creche
  • Sede da junta de freguesia
  • Um cemitério
  • Museu Regional do Vinho
  • Associação cultural e desportiva
  • Rancho folclórico
  • Grupo de cantares
  • Parque de jogos

O sector da educação básica encontra-se devidamente dotado ao nível dos seguintes equipamentos:

  • Um jardim de infância
  • Uma escola primária

O ambiente é uma das áreas em que mais se tem investido e, para além do saneamento básico, há a considerar.

  • Jardins e espaços verdes
  • Um parque infantil
  • Zona de lazer – Barragem Arcossó.

As características histórico e arquitectónicas, que são a grande marca de uma vila com uma história, uma tradição e uma consideração especial, são visíveis nos seguintes edifícios:

  • Torre medieval
  • Torre sineira
  • Igreja Matriz
  • Três Capelas classificadas
  • Casa do Paço ou Duque de Bragança
  • Arquinho romano
  • Fraga do Sino
  • 12 lagares romanos.

Santo Estêvão é, sem qualquer dúvida, uma povoação que mantém intactas todas as características de nobreza, especificidade e de relevância que lhe advêm do facto de ter sido uma importante vila medieval.

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Ordenação Heráldica do Brasão e Bandeira Publicada no Diário da República, III Série de 21/09/1998**

Armas

Escudo de vermelho, torre de prata ladeada de duas chaves de ouro, postas em pala, com os palhetões para cima, a da dextra volvida, acompanhada em chefe de uma palma de ouro, posta em banda entre duas pedras de prata guarnecidas de negro; campanha ondada de prata e azul. Coroa mural de prata de quatros torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas: “ SANTO ESTEVÃO – CHAVES “.

Brasão da freguesia de Santo Estêvão

Bandeira

Esquartelada de azul e branco, cordões e borlas de prata e azul. Haste e lança de ouro.

Bandeira para hastear em edif�cios

Estandarte

Estandarte para hastear em cortejos

*Texto adaptado do PROJECTO DE LEI N.º 294/IX ELEVAÇÃO DA POVOAÇÃO DE SANTO ESTEVÃO, NO CONCELHO DE CHAVES, À CATEGORIA DE VILA.

**Adaptado de: Horta, S. (2004, 18 de Novembro). Freguesia de Santo Estêvão. Acedido em: 15 de Agosto, 2005 em: http://www.fisicohomepage.hpg.ig.com.br/chv-sestevao.htm

2 comentários leave one →
  1. Dezembro 9, 2009 2:48 am

    gostei de ver as fotos da terra aonde nasci em especial obairro de S. MAteus aonde vivi ate aos 16 anos Santo Estevao um abraco Manuel Alves quando fazemos anossa festa transmontana temos um livro de publicidae de umaso ves escrevi tres paginas da historia de S> Estevao

  2. Artur Marques permalink
    Maio 28, 2015 8:09 am

    Sou da região de Aveiro e estive por aí no fim de semana passado.
    Eis o que posteriormente escrevi:
    “Vilarejo de Santo Estêvão
    de casas de pedra morena,
    conhecer-te valeu a pena
    quedou-se aqui meu coração”
    artur marques

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